Terreiro do Bogum: arqueologia da repressão e da resistência em diálogo com o legado religioso das Guerreiras Mino

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DOI :

https://doi.org/10.24885/sab.v39i1.1280

Mots-clés :

Archéologie de la répression et de la résistance ; Guerriers Mino ; Candomblé., Terreiro do Bogum

Résumé

Este artigo investiga como os artefatos e os rituais do Terreiro do Bogum, em Salvador, Bahia, preservam a memória do antigo Reino do Dahomé por meio das Guerreiras Mino, refletindo os processos de resistência da tradição Jeje na diáspora africana. Com base nos aportes da Arqueologia da Repressão e da Resistência e da Arqueologia da Diáspora Africana, analisa-se a transformação simbólica de artefatos em objetos sagrados. A metodologia articula observação participante, entrevistas semiestruturadas e análise descritiva das materialidades sagradas. Os resultados indicam que a ressignificação dessas materialidades transcende o campo litúrgico, atuando como um mecanismo ativo de resistência cultural e afirmação identitária afrodescendente, além de contribuir para os debates sobre memória, espiritualidade e agência material nos estudos da diáspora africana.

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Biographie de l'auteur

Rodrigo Nogueira Martins, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Doutorando em Ciência da Religião PPCIR/UFJF, Mestre em Arqueologia Museu Nacional PPGArq/UFRJ, Mestre em Ciência da Religião PPGCR/PUC-Minas.

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Publiée

2026-01-15

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MARTINS, Rodrigo Nogueira. Terreiro do Bogum: arqueologia da repressão e da resistência em diálogo com o legado religioso das Guerreiras Mino. Revista de Arqueologia, [S. l.], v. 39, n. 1, p. 69–92, 2026. DOI: 10.24885/sab.v39i1.1280. Disponível em: https://www.revista.sabnet.org/ojs/index.php/sab/article/view/1280. Acesso em: 2 mai. 2026.

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